
Parecia que aquele caminho pelas escadas não acabaria nunca. A impressão que eu tinha é que estávamos descendo há horas. Já era tarde da noite, e aquela iluminação fraca das lâmpadas da escadaria estava a começando a me deixar tonta. Porém, eu me distraia enquanto íamos conversando, mas em um momento, Phael, meu namorado, simplesmente parou de falar. De repente, ouvi um miado. Voltei-me para trás, e lá estava ele há alguns degraus acima: um gatinho felpudo, laranja, com rajadas em um tom mais escuro. Meio desajeitado, por causa do peso, ele tentava se equilibrar em pé em suas patas traseiras e levantava uma das patinhas dianteiras, como se estivesse me chamando. Provavelmente queria que eu o pegasse no colo.
__ Phael, como você é preguiçoso! – exclamei.
Peguei o gatinho no colo e continuei a descer as escadas. __ “Você não tem jeito” – resmunguei – mas o bichano parecia sorrir e ronronava, esfregando a sua cabeça
Mas, ora! Se bem que, essas coisas são tão típicas dele. Mesmo na sua forma humana... Bem, a esse ponto, eu não sei mais dizer o que é ou não normal, mas digamos assim: ele, na sua forma original, sempre foi chegado mesmo em um estilo Garfield. Muitas vezes, eu achava que ele era a própria representação humana do mesmo. Agora, como gato, eu tinha certeza disso. Enquanto eu descia as escadas, ele ronronava mais alto. Mas dessa vez era porque ele estava dormindo. Para confirmar, pulei de um degrau para o outro, o que o fez acordar com o movimento. Ele me olhou com uma cara de poucos amigos. Ri e abracei o meu gatinho, que se aninhou nos meus braços e logo voltou a dormir.
Eu já estava ficando cansada e os meus braços já estavam começando a doer. Não conseguiria carregá-lo por muito tempo, então, resolvi tomar a minha forma felina. Coloquei o meu gato no chão. Só bastava fechar os olhos. Logo, o gato laranja tinha como companhia uma gata branca.
Como felinos, saímos pulando pelas escadas, até que estas finalmente chegaram ao fim. Eis então a liberdade: uma enorme lua prateada no céu, vários telhados e a noite inteira para nos aventurarmos. Tínhamos até o amanhecer, que traria um novo dia, a nossa forma humana e sobretudo, a rotina tediosa.
Às vezes, a própria mente traça pontos de fuga e desenha horizontes muito além da realidade... Mas logo então... Acordamos!
Nota: Este foi um sonho que eu tive em que eu e o meu namorado podíamos nos transformar em gatos. ;)



Não sei se a história é verídica, mas é legal ler esses relatos de pessoas e seus bichos de estimação. Não sou muito fã de gatos, entretanto os persas me deixam com vontade de ter um. :P Um abraço. Muito bonito o seu blog.